Libertando


Ele a beijou docemente e ela notou que era uma despedida. O seu amado estava partindo e isso era tudo que ela sabia. Ela era a única pessoa que poderia detê-lo, mas resolveu liberta-lo, dar a ele a liberdade que ela não tinha. Ela sabia que ele precisava encontrar em outros lugares aquilo que não encontrava ali, mesmo ela sendo o tudo dele. Ele precisava voar. Ele se foi, ela o permitiu ir.

No escuro os seus olhos buscavam incessantemente pelos os dele. Ela sabia e já estava cansada de saber que a luz só voltaria quando ele estivesse ao seu lado. E todos perguntavam a ela porque havia permitido que ele partisse, pois o brilho dos seus olhos era ele. A resposta que encontravam era “O deixei partir porque não queria ser egoísta ao prendê-lo aqui, pois me era conhecido o seu desejo de liberdade.” Mas todos sabiam que ele também havia sido egoísta ao pensar apenas em sua felicidade, ao deixar a amada sofrendo.

Ela tinha plena consciência que ele não pertencia aquele lugar, nem a lugar nenhum. Estava voando inultimente, mas as asas dele haviam acabado de sarar e ele precisava voar, precisava conhecer as alturas, ganhar e encantar o mundo. Enquanto ela sofria feito criança que liberta o canarinho amado.

O que a confortava era saber que o perdia para a liberdade e que um dia ele poderia se cansar de ser livre e retornaria para as prisões dela e a permitira fazê-lo feliz, como ela havia sempre desejado.

Thalita

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